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21/11/2008 -Novo relatório sobre Dantas aponta indícios de crimes |
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| O Ministério Público Federal (MPF) prepara mais uma denúncia contra os principais investigados na Operação Satiagraha, que levou à prisão em julho o banqueiro Daniel Dantas e outros 16 suspeitos. Baseada em um novo relatório da Polícia Federal (PF), produzido pelo delegado Ricardo Saadi, o relatório vê indícios de crimes financeiros e formação de quadrilha, de acordo com reportagem veiculada ontem pelo Jornal Nacional. Saadi, que é diretor de Combate a Crimes Financeiros da PF, em São Paulo, assumiu o inquérito contra Daniel Dantas e o Grupo Opportunity depois da saída do coordenador da Operação Satiagraha, delegado Protógenes Queiroz. Sob novo comando, a investigação se concentrou em documentos apreendidos no dia da operação e em depoimentos de testemunhas. Conforme o JN, o relatório Saadi afirma: “Depois do que foi analisado, pudemos constatar que Daniel Valente Dantas lidera uma organização criminosa”. O novo delegado atribui ao banqueiro os crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha. No relatório, Saadi também diz que precisa de mais tempo para terminar o inquérito. Ainda falta analisar informações do grupo que foram recolhidas de computadores e estão protegidas por senhas. O delegado diz que o Grupo Opportunity cresceu nos anos 90, quando criou fundos para comprar empresas de telecomunicações no processo de privatização. Delegado fala em desvios de recursos de companhias Segundo a reportagem, o delegado escreveu que durante a gestão das empresas arrematadas houve desvio de recursos das companhias. Diz ainda que parte dos recursos da gestão fraudulenta foi lavada por meio da compra de fazendas e de gado e também em terrenos para a exploração de minério. Um dos fundos do grupo, o Opportunity Fund, está registrado nas Ilhas Cayman, paraíso fiscal no Caribe. De acordo com o delegado, a existência de clientes brasileiros nesse fundo seria completamente irregular. O fato, segundo ele, foi comprovado por diversas fontes, inclusive doleiros, que confirmaram que brasileiros residentes no país enviaram recursos para o Exterior, quando isso era proibido. Essas pessoas, afirmou, confirmaram a prática do crime de evasão de divisas. Em outro trecho, o novo coordenador da investigação escreve: a organização criminosa liderada por Daniel Dantas usa corrupção e intimidação para alcançar seus objetivos. Entre os exemplos, cita o que chama de tentativa de corromper um delegado federal. Parte da negociação de US$ 1 milhão foi gravada num restaurante. Advogado de Dantas nega as acusações O delegado também diz que pessoas influentes servem a organização de Dantas: um dos nomes destacados por Ricardo Saadi foi o do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal pelo PT. Os chamados lobistas, segundo o relatório, tinham como função principal obter informações de interesse do grupo e fazer contatos com pessoas importantes, inclusive políticos e integrantes do governo. O advogado de Daniel Dantas, Nélio Machado, nega todas as acusações e diz que a investigação está comprometida. Ele criticou os dois delegados. O advogado de Protógenes Queiroz afirmou que toda a investigação feita pelo delegado se baseou na lei. O ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh disse que, no momento oportuno, vai contestar a inclusão do nome dele no relatório da polícia. Entenda o Caso Dantas Iniciada em 2005, a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, provocou no dia 8 de julho a prisão do banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, do megainvestidor Naji Nahas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e de outros 14 suspeitos de integrar quadrilha de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Dantas é alvo de dois inquéritos da Polícia Federal: > Corrupção ativa – o banqueiro teria oferecido US$ 1 milhão a um delegado da PF em troca do engavetamento da investigação sobre o Opportunity. Dantas foi denunciado pelo Ministério Público Federal. O processo tramita na 6ª Vara Federal Criminal, em São Paulo, e está em fase de conclusão. > Crimes financeiros – a PF apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, uso indevido de informação privilegiada, tráfico de influência, entre outros. O inquérito encontra-se em fase preliminar e deve terminar em nova denúncia do Ministério Público Federal contra o banqueiro. Troca de delegados > As investigações foram comandadas na primeira fase pelo delegado Protógenes Queiroz (foto), que acabou afastado do caso na fase final do inquérito por suspeitas de violação de sigilos e escuta sem autorização judicial. > Entre os supostos problemas do inquérito conduzido por Protógenes está a participação de mais de 70 funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), serviço secreto sucessor do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI) e que não tem poder de polícia. Protógenes alega que agiu dentro da lei e atribuiu a “perseguição” à influência de Daniel Dantas. > Protógenes foi substituído no comando do inquérito da Satiagraha pelo delegado Ricardo Saadi, diretor de Combate a Crimes Financeiros da Polícia Federal, em São Paulo. > No novo relatório, Saadi deve atribuir a Daniel Dantas crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha. |
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| Fonte: Zero Hora |
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